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Agricultura ganha produtividade mas envelhecimento ameaça futuro do sector

  • há 55 minutos
  • 2 min de leitura

A produtividade do trabalho agrícola em Portugal aumentou 277% nas últimas três décadas, num período em que os salários no sector cresceram mais de 50% na última década, acima da média da economia nacional.

Segundo a análise da CONSULAI, apesar da evolução em produtividade, investimento e competitividade, a renovação geracional mantém-se como um dos principais desafios para a agricultura portuguesa.

agricultura

A idade média da mão de obra familiar agrícola passou de 46 para 59 anos em cerca de 30 anos, enquanto o número de trabalhadores familiares caiu mais de 50%. A tendência de envelhecimento é também visível ao nível europeu, onde apenas 12% dos gestores agrícolas têm menos de 40 anos.

“Durante décadas, a agricultura portuguesa resolveu o desafio da produtividade. Hoje, o desafio é outro: garantir quem vai liderar, investir e produzir no futuro. O maior risco para o sector deixou de ser tecnológico ou económico e passou a ser humano. A renovação geracional é uma condição essencial para a competitividade da agricultura portuguesa e para a capacidade de o país responder aos desafios alimentares, ambientais e territoriais das próximas décadas”, afirma Pedro Santos, diretor-geral da CONSULAI.

Entre 2007 e 2022, instalaram-se em Portugal 10.513 jovens agricultores, responsáveis por mais de 1,5 mil milhões de euros de investimento e pela gestão de mais de 252 mil hectares de superfície agrícola. Segundo a informação disponibilizada, trata-se de uma geração com idade média de 33 anos, maioritariamente com formação superior ou técnico-profissional especializada. Ainda assim, quase um terço iniciou atividade sem experiência prévia no sector.

Entre os principais obstáculos identificados estão o acesso à terra, o financiamento, a escala económica das explorações e a integração em mercados organizados. A sustentabilidade dos projectos agrícolas liderados por novos produtores surge, assim, associada não apenas à motivação dos jovens, mas também à existência de condições estruturais para que estes negócios possam ganhar escala e competitividade. 

“Existe ainda um desfasamento significativo entre a percepção pública e a realidade do sector. A agricultura de hoje é uma actividade empresarial, tecnológica e altamente especializada. Atrair talento exige mostrar que estamos perante um sector com futuro, capacidade de inovação e oportunidades de carreira qualificadas”, acrescenta Pedro Santos.

A renovação geracional assume relevância económica num sector com peso nas exportações, no emprego e na criação de valor. Em 2023, o complexo agroflorestal gerou 9,4 mil milhões de euros de Valor Acrescentado Bruto, representando 5,1% do PIB nacional. O sector assegurou ainda 456 mil postos de trabalho e exportações de 15,2 mil milhões de euros, equivalentes a cerca de 12% das exportações nacionais.

Num contexto de pressão sobre a segurança alimentar, alterações climáticas e necessidade de gestão sustentável do território, a entrada de novos profissionais é apontada como um factor crítico para a competitividade futura do sector.

“Quando falamos de renovação geracional estamos a falar da capacidade de Portugal assegurar produção alimentar, criar emprego, valorizar os territórios rurais e manter uma economia mais resiliente. O desafio é nacional e exige uma visão de longo prazo”, defende Rui Almeida, director da CONSULAI.

Estes temas serão abordados no B-Rural Summit, iniciativa promovida pela CONSULAI, que terá lugar no dia 23 de Junho, em Lisboa, reunindo especialistas, empresários, jovens empreendedores e decisores para discutir o futuro da agricultura e da floresta em Portugal.


Créditos da Notícia: Vida Rural


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