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Em 90 pessoas, 9 apanharam Covid-19: Como se pode espalhar o vírus num restaurante | in "Observador"

30 de abr. de 2020
3 min de leitura

Atualizado: 3 de set.

Investigadores estudaram um caso real que aconteceu em Guangzhou e aquilo que descobriram pode ser essencial para perceber como irão mudar os restaurantes. O ar condicionado é o elemento chave.

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Numa fase em que as autoridades de vários países estão a estudar como será possível reerguer o negócio dos restaurantes enquanto uma vacina ainda não aparece nas cartas, um estudo chinês que será publicado pela revista norte-americana Emerging Infectious Diseases (que faz parte do respeitado Center for Disease Control dos EUA) dá algum contexto sobre como é possível um grupo de clientes ficar infectado por causa de um caso assintomático que com eles partilhava a sala de refeições.


O estudo em questão analisa um caso específico, que aconteceu em janeiro, num restaurante em Guangzhou, na China. Em causa está o almoço em que um comensal infectado — mas assintomático — alegadamente foi responsável por infectar nove pessoas, isto numa sala onde estavam outros 73 clientes que escaparam ilesos, assim como oito empregados que também não ficaram Covid-19 positivos (90 pessoas, no total). Ora, o estudo prevê que todas as pessoas que foram infectadas estavam ou sentadas em mesas próximas do mesmo ou em linha com o sistema de ventilação artificial que morava neste espaço sem janelas.


O foco infeccioso estava dentro dos próprios mecanismos do ar condicionado? Nada disso: as amostras recolhidas deram negativo. O que os especialistas que fizeram este estudo afirmam é que o factor chave para a infecção foi “a direcção do fluxo de ar”, conta o El País. “As maiores gotículas libertadas pela respiração do infectado permanecem no ar por muito pouco tempo e, por isso, viajaram pouco também, menos de um metro”, dizem.

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Como é visível no gráfico que faz parte do estudo, a distância entre o paciente A1 (o assintomático) e as pessoas das outras mesas era de mais de um metro. Acredita-se que um forte fluxo de ar poderá ter propagado as gotículas infectadas mais pequenas, que foram libertadas natural e inconscientemente. Por terem um tamanho mais modesto podem permanecer no ar mais tempo e percorrer distâncias maiores em forma de aerossol. Os que escaparam sem infecção simplesmente estavam mais longe.


Ou seja, olhando para a posição do  ar condicionado da sala que fica na parede da direita, percebe-se que a família B pode ter sido infectada pelo normal fluxo do ar que “soprava” no sentido este-oeste, arrastando com ele o vírus do infectado na mesa A. As infecções (poucas) na mesa C, a que tinha o ar condicionado em cima de si, podem ter acontecido porque o ar provinha daquele lado, infectava tudo na sua direcção mas batia na parede e voltava para trás. Pelo menos é esta a hipótese que os investigadores estão a estudar, diz também o The New York Times.


Estas são apenas algumas hipóteses que estão a ser estudadas neste trabalho. “A análise serve para entender qual é o desafio que os restaurantes terão de enfrentar a partir de agora”, dizem os investigadores ao jornal norte-americano. “Para reabrir terão que ter em consideração este tipo de estudo. Os sistemas de ventilação podem criar fluxos de ar complexos e manter as partículas de infecção em formato aerosol por mais tempo. Ou seja, a distância mínima de dois metros pode não ser suficiente”, defendem.


Dentro das alternativas que existem para garantir uma reabertura segura, dizem, há o controlo da temperatura dos clientes, por exemplo, o aumentar da distância entre as mesas e o melhorar dos sistemas de ventilação.


Créditos da Notícia: Observador


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