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Agricultura biológica triplica em Portugal em dez anos | in "Visão"

8 de abr. de 2021
4 min de leitura

Atualizado: 3 de set.

Na última década, o País agrícola mudou muito: além do grande auumento da produção em modo biológico, o sector tem mais área de exploração, novas produções e mão-de-obra mais envelhecida. O que mais mudou na agricultura nos últimos 10 anos?

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Existem em Portugal cerca de 4 mil explorações agrícolas certificadas para a produção em modo biológico, segundo a edição de 2021 do Recenseamento Agrícola do Instituto Nacional de Estatística, que analisa e compara a evolução agrícola entre 2009 e 2019.

Este número corresponde a um aumento de 214% face ao último recenseamento que se realizou em 2009. Este crescimento veio ao encontro da procura cada vez maior deste tipo de alimentos, quer por uma percepção pública de melhor qualidade, quer por preocupações ambientais (embora não esteja demonstrado que a pegada ecológica da agricultura biológica seja mais pequena do que a convencional, devido sobretudo à necessidade de maior área agrícola para produzir a mesma quantidade de alimentos). A aposta das cadeias de distribuição neste nicho de mercado também criou maiores oportunidades para os produtores poderem escoar os seus produtos.


É no interior do País que se concentra a grande maioria destas explorações, nomeadamente em Trás-os-Montes, que tem 29,4% das produções biológicas nacionais. No entanto, em termos de área cultivável para produção biológica, é o Alentejo a região mais representativa, concentrando dois terços do total.

Ao todo, a área nacional certificada para a produção biológica ascende a 210 mil hectares, o que representa 5,3% da superfície agrícola em Portugal, sendo quase 70% reservada para pastagem.


Entre as culturas biológicas permanentes, o olival é a que tem maior expressão, com um total de 21 mil hectares, seguindo-se os frutos de casca rija, como a amêndoa e a noz, com 11 mil hectares, e a vinha, cuja produção em modo biológico é já de 4 mil hectares.


Apesar de não terem uma grande expressão em termos de área, os chamados pequenos frutos vermelhos, como as framboesas e os mirtilos, são os que têm a maior percentagem de produção biológica. Da totalidade destes frutos produzidos em Portugal, 12,4% têm o carimbo biológico.


No sector pecuário, Portugal também tem crescido com uma única excepção: a suinicultura, cuja produção em modo biológico caiu 24% em dez anos. No sentido inverso têm estado os produtores de bovinos, que viram as suas criações biológicas crescerem 127% na última década, atingindo um total de 73 mil cabeças.


É também no Alentejo que se encontra a maior parte do efectivo animal em produção biológica, nomeadamente 84% dos suínos, 68,6% dos bovinos e 68,2% dos ovinos.


Agricultura em crescimento

O recenseamento agrícola permitiu ainda perceber que Portugal tem assistido a uma diminuição do abandono desta actividade económica. Entre 1999 e 2009, o País tinha registado uma perda de 26,6% das explorações existentes. Na última década, a descida foi de apenas 4,9%. O abandono da actividade ocorreu entre os pequenos produtores.

Apesar de serem menos, a superfície total explorada para a agricultura aumentou em 400 mil hectares, ocupa actualmente 55,5% do território nacional, num total de 5,1 milhões de hectares, e gerou vendas de 6,6 mil milhões de euros, um crescimento de 46% em relação a 2009.


A dimensão média das explorações cresceu cerca de 13,7% e é uma actividade com uma maior empresarialização. Actualmente existem 14,6 sociedades agrícolas, enquanto em 2009 este número era de 6,8 mil. O caso do sector bovino é um bom exemplo: em dez anos Portugal perdeu uma em cada três explorações pecuárias, mas o número de cabeças de gado cresceu 11%.


Em suma, as empresas agrícolas já controlam um terço da superfície agrícola nacional e mais de metade das cabeças de gado existentes no País. E esta alteração traduziu-se num crescimento exponencial do valor da produção. Em 2019, cada exploração agrícola gerou um valor médio de 23,3 mil euros, mais 8,1 mil euros que em 2009.

Um valor ainda baixo, quando comparado com a média europeia, mas que é bastante influenciado pelo grande número de pequenas explorações que ainda existe no País. Por exemplo, a dimensão económica média de uma exploração no Alentejo é de 60 mil euros, enquanto na Madeira é de apenas 8 mil euros.


A grande maioria destas sociedades agrícolas, 51% do total, está concentrada no Ribatejo e no Alentejo. Em conjunto cultivam 1,26 milhões de hectares.


O olival tem sido uma das maiores apostas agrícolas dos últimos anos em Portugal. O crescente consumo de azeite, em países onde este produto era praticamente desconhecido há alguns anos, tem criado uma forte procura, o que conduziu a uma alteração no modo de cultivo do olival. Nas produções tradicionais, cada hectare tinha em média cerca de 100 oliveiras, já hoje, com os olivais intensivos, alberga mais de 1,5 mil árvores. E este tipo moderno de produção registou um crescimento de 365% ao longo da última década. O olival já ocupa 377 mil hectares de terreno agrícola em Portugal, metade dos quais no Alentejo.


Outra das grandes tendências nos últimos anos da agricultura nacional têm sido os frutos de casca rija que em dez anos praticamente duplicaram a sua produção. A instalação de amendoais intensivos no Alentejo e Beira Interior foi a principal responsável por este aumento.


Os mais velhos da Europa

Portugal tem uma população agrícola envelhecida, com uma idade média de 63,4 anos, a mais elevada da União Europeia, e que aumentou, segundo o estudo do INE, dois anos na última década.


Em contrapartida, os gestores das sociedades agrícolas são 13 anos mais novos que os agricultores particulares.


Actualmente, trabalham no sector agrícola 315 mil pessoas, menos 14,5% que há dez anos, das quais dois terços são homens. No entanto, o número de mulheres envolvidas na agricultura tem vindo a subir, embora de forma pouco significativa, de apenas 2% em dez anos.


A mão-de-obra familiar, constituída pelo produtor e o respectivo agregado familiar, ainda é a grande força de trabalho deste sector, mas o recurso a contratados tem vindo a crescer registando um aumento de 38% ao longo da última década.


O Alentejo e o Ribatejo são as únicas regiões do país onde o número de assalariados é superior à mão-de-obra familiar. O número de trabalhadores com formação tem vindo a crescer de forma exponencial. Na última década, os profissionais qualificados tiveram um aumento de 322%.


Créditos da Notícia: Visão


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