Agrovila é o novo “Tinder” da alimentação saudável e sustentável do Algarve
- Lima com Pimenta

- há 3 horas
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É uma espécie de Tinder da alimentação saudável e sustentável, mas que, em vez de juntar pessoas à procura do par ideal, ajuda os consumidores a encontrar o produtor local com a oferta que mais lhe convém. A Agrovila Algarve foi inaugurada há um mês para aproximar o consumidor final dos produtores da região.
Esta nova comunidade é uma das cinco que foram criadas, numa primeira fase e como pilotos, no âmbito de um projecto nacional financiado pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR).
«Esta é uma parceria muito grande com um objectivo: preencher uma necessidade que existe de aproximação entre produção e consumo, mas feita à medida dos actores do sistema. Já existiram alguns exemplos no passado e, logo no início do projecto, foi feito um levantamento de todas as plataformas, de todos os sistemas, de todos os modelos que já existiam», segundo Artur Gregório, da associação In Loco, uma das parceiras algarvia do projecto, à semelhança da empresa Maria Flaminga, de Tavira.
A iniciativa assenta numa plataforma, criada pelo parceiro tecnológico do Agrovila, que é, segundo Artur Gregório, aquilo que marca a diferença em relação a outras soluções que já existiam antes, com o mesmo objectivo.
«A diferença que o Agrovila introduz é que a solução que foi desenhada é feita pelos participantes. Fizemos focus groups de Norte a Sul do país – os parceiros são de todo o país -, para tentar perceber quais são as necessidades dos produtores e as necessidades dos consumidores», disse.
«O nosso parceiro tecnológico, a IOtech, foi desenhando uma solução tecnológica que vai permitir resolver essas necessidades. O nosso objectivo é que esta ferramenta, uma vez estabilizada, uma vez afinada, fique na mão desses actores. Queremos que, em cada região, essas agrovilas que foram criadas sejam geridas e dinamizadas por eles. É a própria vila que se autogere», explicou o mesmo responsável.
Cada Agrovila é desenhada a pensar na região onde é criada, «daí que os modelos de governança, os modelos de funcionamento não são iguais em todas as regiões. Cada um encontra a solução ideal, perfeita para a sua conjugação entre produção, consumo e estes mediadores, como as associações de desenvolvimento, que procuram fazer esta mediação».
«Pareceu-nos que era uma proposta com interesse, daí que fizemos parte do projecto e temos trabalhado ao longo destes dois anos. Estamos agora a chegar à recta final, em que começamos a transportar cá para fora os resultados deste trabalho todo, nomeadamente montando estes cinco projectos-piloto, um em cada região, onde se vai ensaiar e testar esta forma de aproximar produção e consumo».
A ferramenta tecnológica criada, apesar de importante e pensada em comunidade, acaba por ser apenas« um canal de comunicação, um meio de comunicação».
Para Artur Gregório, mais importante que a plataforma «é a confiança, é o conhecimento» que o projecto pretende impulsionar.
«Daí que, no primeiro evento que fizemos aqui de lançamento, não houve troca de produtos, não houve vendas, o que procurámos foi que os produtores se apresentassem, que os consumidores os conhecessem e que percebêssemos quais eram as formas e as dinâmicas possíveis», enquadrou.
A adesão, nesta primeira fase, «tem sido progressiva, ainda lenta. (…) A pouco e pouco, os produtores estão a entrar, estão a registar-se, estão a partilhar na plataforma os produtos que têm interesse em vender, nas quantidades que têm interesse em vender, nas formas que têm interesse em vender, e os consumidores estão a perceber o que é que querem, o que é que não querem. Depois, reservam directamente, essa informação é comunicada aos produtores, que ficam a saber que têm clientes aqui e ali».
Os produtores trazem os produtos nas manhãs de Quinta-feira para aqui [sede da In Loco em São Brás de Alportel] e os consumidores vêm na quinta-feira à tarde e levam os produtos para casa.
Agora, estão a acontecer semanalmente, todas as Quintas-feiras, estes encontros entre produtores e consumidores.
«O nosso objectivo é criar sinergias e deixar aqui uma semente».
Uma das pontes que a In Loco pensa criar é «entre este projecto e o projecto Revitalgarve. Vamos também tentar criar aqui uma destas vilas, que seja uma vila dos membros da Rede de Produtores Locais do Algarve., a RPLA. Os pontos de venda também se podem definir. Neste momento, criámos um ponto de venda aqui [na sede da In Loco], mas muito provavelmente serão criados pontos de venda no Barlavento, no Sotavento».
O Agrovila, como outros projectos que procuram aproximar a produção do consumidor, também permite baixar o preço final do produto, ao mesmo tempo que gera mais retorno para o consumidor. Isto porque, com a proximidade, se cortam custos, como os de transporte.
A lógica deste projecto é «ter menores custos de transporte, maior rapidez na disponibilização dos produtos aos consumidores, para eles saírem mais frescos. Uma lógica de optimizar o sistema».
«Há muitas coisas que têm custos de transporte, custos ambientais desnecessários, porque têm etapas demais no processo. O que nós queremos é abreviar o contacto entre produtores e consumidores, com vantagem para ambos. Porque, quanto menos etapas tivermos na comunicação entre produção e consumo, por exemplo, mais baixo pode ser o custo e melhor pode ser a remuneração. Se gastarmos menos nas etapas intermédias, podemos remunerar melhor os produtores e podemos ter produtos mais baratos para os consumidores», enquadrou Artur Gregório.
«Nós ficávamos contentes se tivéssemos agora 20 produtores nesta primeira fase, para que os consumidores começassem a conhecer e a ver a diversidade e a tipologia de produtos que existem, para começarem a aderir mais. Seria bom ter 100 ou 200 consumidores envolvidos nisto», desejou o coordenador da Agrovila do Algarve.
«Aderir é super fácil, tanto para os consumidores, como para os produtores. É só chegar à plataforma, registar-se. Os produtores dizem quais são os produtos que têm. Tem lá as tipologias, tem lá as categorias. É só escolherem. Dizem o que têm, a quantidade que têm, qual é a forma como querem vender – ao quilo, à caixa ou até mesmo à palete. Ou seja, é o produtor que determina aquilo que quer vender, da forma que quer vender e ao preço que quer vender», disse.
Ao consumidor, basta escolher o produtor e modalidade de compra que mais lhe agrada e fazer o negócio.
«Dizendo isto a brincar, gostava muito que fosse o Tinder da alimentação saudável e sustentável, que permitisse o encontro de vontades entre quem produz e quem consome», concluiu Artur Gregório
O Agrovila tem a coordenação da Escola Agrária de Coimbra e tem como parceiros o Politécnico do Porto, a Confederação Nacional da Agricultura (CNA), a CCDR Centro, a In Loco e as empresas Maria Flaminga, de Tavira, IOtech, Dream Baler, New Organic Planet (NOP) e Ciclo Puro.
Créditos da Notícia: Sul Informação






